A trajetória de um sobrevivente

O planejador financeiro e historiador Louis Frankenberg contou na Sede como se deu sua sobrevivência, contra todas as probabilidades, durante a Segunda Guerra Mundial. Nascido em 1936, ele e sua família moravam em Alkmaar, no interior da Holanda. “Com apenas seis anos de idade, me separei dos meus pais – que nunca mais vi – e com oito da minha irmã, que também sobreviveu”, contou.

Em 1988, Frankenberg começou a buscar documentos que recontassem sua história e de sua família. Nesses 30 anos, encontrou telegramas de seus pais pedindo ajuda para sair da Europa, quando a situação começava a ficar complicada para os judeus, documentos de sua transferência para o campo de Westerbork e, depois, para Theresienstadt, registrados pelos alemães, entre outros. “Um certificado de batismo falso, emitido por um primo meu, me livrou de ser transferido para os campos de extermínio de Sobibor ou Auschwitz”.

Em Theresienstadt, sobreviveu às doenças e aos policiais nazistas, que mataram 22 mil pessoas. “Até que uma lista, que não era a de Schindler, salvou minha vida, uma vez que fiz parte dos 1.200 judeus escolhidos pelo comandante da SS, Karl Rahm, que embarcaram no único trem com destino à Suíça, para uma troca de prisioneiros com os aliados.”

Em 1947, reencontraria sua irmã Eva e recomeçaria sua vida no Brasil, em Porto Alegre. Ao final, deixou uma mensagem, importante para os dias de hoje: “Aqueles que se esquecem do passado, estarão condenados a vivenciar tudo novamente”.